
O silêncio meditativo, minimalista, do artista-plástico Richard Long tem nos orientado no sentido de buscar o ‘estado de fundo’, a preocupação de se instaurar uma atmosfera intrínseca à obra – para além do gesto visível ou audível.
A pesquisa com a repetição de padrões simples de movimentação e som – a potência sensorial contida nessa qualidade de partitura –, inevitavelmente tem nos conduzido a esse lugar de concentração e imersão silenciosa.
Quanto ao processo, está se seguindo uma proposta metodológica diferente da que usualmente é praticada pela companhia, marcada pela presença de solos que se desdobram em uníssonos. Inspirada na imagem das cinco trajetórias que vemos na instalação 5 Paths, do escultor britânico, a idéia do paralelismo e da simultaneidade das trilhas leva o espetáculo em outra direção. Aqui o solo não aparece como matéria-prima para a concepção de núcleos coreográficos coletivos, mas como a própria trilha individual do artista que a propõe – um caminho a se desenrolar no espetáculo como trajetória singular, coexistente. Assim, a questão dramatúrgica que investigamos neste momento é sobre como se dá essa conexão entre as trilhas, de que forma ocorre essa simultaneidade, cuidando de se preservar a autonomia e foco de cada uma.
E outra: terão essas trilhas um fim, ou indicarão uma continuidade no tempo?
Bem, seguindo as pegadas de Richard Long, para quem a intuição e o acaso são elementos fundamentais na concepção de uma obra, a Cia Oito Nova Dança aprofunda-se na experiência desses trajetos, dando espaço para que o próprio ‘caminhar’ possa responder a essas perguntas e revelar o seu percurso.
Nathalia Leite